Prevenção da Cegueira na Infância

Os olhos absorvem mais de 80 % das informações recebidas pelo homem. Na infância também boa parte das informações recebidas pela criança se dá pela visão, em uma fase de aquisição de habilidades, de contínuo aprendizado. Considera-se que o desenvolvimento das funções visuais na infância ocorre entre 0 e cerca de 7 anos, sendo essa fase considerada primordial na observação, diagnostico e tratamento de diversas condições oftalmológicas.

A perda da integridade do sistema visual nos primeiros anos de vida tem um grave impacto no desenvolvimento global da criança. A falta de experiências visuais prévias distingue o acometimento nessa faixa etária do acometimento visual do adulto, que utiliza o aprendizado acumulado durante toda a vida para lidar com sua perda visual e a partir dessa fazer adaptações das atividades diárias e do estilo de vida já aprendido. O padrão de desenvolvimento da criança é influenciado pelo grau de função visual e auditiva, integridade da linguagem de expressão e recepção, saúde, habilidade de aprendizado e interação com a família. A criança portadora de baixa visão tem seu aprendizado de mundo comprometido, pois grande parte da informação externa se faz através da visão. Como não forma conceitos próprios, bem estruturados do ambiente que a cerca, depende da ajuda externa para orientação visual, crescimento e diferenciação.

A variabilidade das condições comumente associadas à baixa visão na infância desencoraja a classificação rígida desses pacientes em grupos de abordagem. Poderíamos dividir, de forma didática, esses pacientes em dois grupos: um primeiro com baixa visão unicamente de causa ocular e um segundo grupo, onde além das alterações oculares, estão presentes alterações primárias sistêmicas. As causas oculares mais comuns de baixa visão na infância em nosso meio (catarata congênita, retinopatia da prematuridade, glaucoma congênito, toxoplasmose e muitas outras patologias dos tecidos oculares) são responsáveis pelo atraso do desenvolvimento global das crianças, podendo chegar a um ano de vida. Em alguns casos onde faltam sinais oftalmológicos evidentes como estrabismo, leucocoria e nistagmo, a baixa visual pode passar despercebida pelos pais e pediatras nos primeiros anos de vida. Verifica-se que, apesar desses pacientes apresentarem atraso em todas as funções relacionadas à visão, na maioria das vezes, apresentam grande potencial de evoluir em todas as funções globais, sejam motoras, sensitivas, proprioceptivas, sociais e psicológicas, além do contacto e interação com a família, desde que corretamente estimuladas e em tempo hábil. Crianças, que além das dificuldades visuais ocasionadas por patologias oculares, apresentam outras alterações sistêmicas, como por exemplo, disfunção neuromotora ou paralisia cerebral, constituem um subgrupo desafiador em que as alterações se somam e se confundem. Esses pacientes, com múltiplas deficiências exigem da equipe responsável uma dose extra de conhecimento e esforços.

A perda ou diminuição da visão deve ser prevenida, diagnosticada e tratada, aconselhando-se para isso que qualquer recém-nascido com suspeita de alteração ocular monocular ou binocular deva ser imediatamente encaminhada ao oftalmologista. A triagem das alterações visuais feita por pediatra ou oftalmologista deve ser enfatizada ao nascimento, aos 6 meses, 3,5 anos e a partir dos 5 anos, triagem nas escolas. Todos os casos suspeitos devem ser encaminhados ao oftalmologista para exame completo e início precoce do tratamento.

Galton Carvalho Vasconcelos
Serviço de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo do IOBH

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